O
evangelho a ser refletido na liturgia do próximo final de semana é
tradicionalmente conhecido como “as bodas de Caná”. Essa narrativa
leva-nos a perguntar sobre o papel da religião, da vivência da aliança
entre Deus e as pessoas. A função da religião é petrificar o coração
humano ou é gerar novas criaturas no amor de Deus?
De corações empedernidos...
No texto, há vários elementos que revelam a antiga aliança, que foi aprisionada pela religião oficial.
O
primeiro é a referência a um casamento. Em Israel, o casamento, desde o
profeta Oséias, é uma imagem da aliança de Deus com o seu povo.
Portanto, a narrativa nos conduz para dentro da aliança.
Um
segundo elemento é a ausência de vinho. “Eles não têm mais vinho”. O
amor, representado pelo vinho, e que a aliança deveria revelar, já não
existe mais. As estruturas mataram o amor, o petrificaram. Aqui, “eles” é
uma referência às autoridades religiosas que transformaram a lei, que
deveria gerar vida e liberdade no amor, em um peso para o povo, em um
ritualismo vazio de água, vazio de vida e de sentido.
“Havia um casamento na Galileia”.
Assim começa este relato em que nos é dito algo inesperado e
surpreendente. A primeira intervenção pública de Jesus, o Enviado de
Deus, não tem nada de religioso. Não acontece num lugar sagrado. Jesus
inaugura sua atividade profética “salvando” uma festa de casamento que
podia ter terminado muito mal.