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quarta-feira, 31 de agosto de 2016





IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL - DIOCESE ANGLICANA DO PARANÁ
PARÓQUIA SÃO LUCAS – LONDRINA - PR
Rua Mossoró, 678, Centro, Londrina – PR
Fone: (43) 33473616

Londrina 31 de agosto de 2016.
NOTA DE APOIO
 "Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, ou seja, aos que creem no seu Nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". (João 1:11-13).

A Paróquia São Lucas de Londrina, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil vem a público declarar seu total apoio, elogiar e prestar nossa solidariedade à peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” interpretada pela atriz transexual Renata Carvalho e a toda equipe de produção.
É sabido de todos/as que este grupo sofreu tentativa de censura por parte de movimentos cristãos e de um candidato a vereador da cidade, pelo fato dela inicialmente ser apresentada na réplica da primeira Igreja Católica Romana no Campus da UEL, sendo a mesma, uma capela ecumênica. As críticas são reproduções do preconceito, pois antes mesmo da apresentação, já havia julgamento de valor e condenação de falta de ética e falta de respeito, fato que não foi constatado. Ao assistir à peça, pude presenciar um imenso respeito à mensagem de Jesus Cristo, nenhuma ofensa ou ridicularizarão. Nada que ofenda ou venha ferir o Jesus Nazareno, os Cristãos e Cristãs ou alguma Instituição Religiosa.
A peça é uma releitura dos ensinamentos do Evangelho de Jesus à luz dos problemas, dilemas e dores da atualidade, encarnada na vida das pessoas sofridas e marginalizadas que a sociedade e, por vezes, muitas Igrejas as excluem. Uma releitura contemporânea da mensagem profética de Jesus, onde houve uma contextualização de parábolas do Evangelho para denunciar o preconceito, a hipocrisia e estimular a prática do amor fraterno, justiça, aceitação e inclusão daqueles que são considerados à margem. A peça demonstra cenicamente o melhor da Teologia Cristã ao reivindicar a “Encarnação” do Cristo frente às dores deste mundo, frente as rejeições, exclusões, julgamentos e assassinatos de pessoas homossexuais, bissexuais e transgêneros, pelo simples fato de sua sexualidade. A peça é profética no sentido em que revela a hipocrisia e denuncia os discursos de morte. A peça é ecumênica no sentido em que apresenta um Jesus desvinculado das tradições religiosas. A peça é kerigmática no sentido em que é proclamação de amor, do acolhimento e um chamado para a Vida. É Mensagem de Cristo. Entendemos que a sexualidade humana é plural e, como tal, sagrada a Deus.
“[...] lutamos por mudança de pensamento, comportamento e ações em relação às pessoas excluídas, marginalizadas ou discriminadas por sua orientação sexual e etnia, para que sejam eliminadas as barreiras que as impedem do direito à justiça e à igualdade. [...]” (Livro de Oração Comum - Pg. 759)
Quando em nosso Livro de Oração oramos o que está acima, não podemos ficar calados/as diante do que vimos e ouvimos.

Dom Naudal Alves Gomes
Bispo da Diocese Anglicana do Paraná

Reverenda Lucia Dal Ponte Sirtoli

Reitora da Paróquia da Paróquia São Lucas - Londrina - PR

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lucas 24,36-49: Jesus e um bom peixe assado!
Foto de Paróquia São Lucas.Algumas correntes dos cristianismos originários espiritualizaram muito cedo a pessoa e a proposta de Jesus. Para esses grupos, as chagas do Crucificado desapareceram e passando a cultuar uma religião que negava a encarnação. Muitos afirmavam que Jesus morreu na cruz aparentemente, seu corpo era apenas um corpo aparente (docetismo). Tal negação teórica tinha uma implicação prática: para ser uma boa pessoa cristã, bastava buscar conhecer (gnose) de verdade esse espírito e a ele chegar pelo esforço intelectual/espiritual.
Por essa razão, as comunidades joaninas, já no convívio com correntes de influência gnóstica, são enfáticas em afirmar: "o Verbo se fez carne e acampou no nosso meio" (João 1,14). Se, por um lado, a fala de Tomé é expressão de sua dúvida, por outro, é sinal de que acredita em um Deus encarnado e sofredor: "Se eu não vir nas suas mãos os sinais dos cravos, e ali não puser o meu dedo, e não puser a minha mão no seu lado, de modo algum acreditarei" (João 20,25).
No texto de Lucas 24,36-49, Jesus chega desejando a paz, fazendo uso de um cumprimento que todo judeu gosta de ouvir: shalom! (24,36). O susto é grande e o grupo pensa que é um espírito. "Um espírito não tem carne e osso", lembra Jesus, "vede minhas mãos e meus pés, sou eu" (24,39). Não há como negar, afirmam as comunidades lucanas: nosso Deus não é só um espírito, o Cruficidado/Ressuscitado permanece entre nós! Erra quem prega um Deus desencarnado. Não entende a proposta quem imagina que é suficiente louvar um espírito, muitas vezes até distante, outras vezes apenas doce e virtual.
O Ressuscitado é carne, é gente de verdade e continua com mãos, pés e o lado marcados por ferimentos. Cabe a nós tratar desses ferimentos, como fez o samaritano em outro texto narrado exclusivamente por Lucas (10,29-37). Cabe a nós não fugir e testemunhar por nossos atos: o Ressuscitado é o mesmo Crucificado a contar conosco também hoje, nos pobres e necessitados, os crucificados deste mundo. A fé em Jesus é algo mais exigente: é preciso continuar reconhecendo sua pessoa sofredora, encarnada nas pessoas sofredoras de ontem e de hoje.
Primeiro comer para depois "abrir a mente"
Depois de saborear um bom peixe assado, Jesus convida o seu grupo a ler a Bíblia: "era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. E abriu-lhes a mente para que entendessem as Escrituras" (Lucas 24,44-45). Como tinha feito no caminho de Emaús (24,27), Jesus retoma a Bíblia: a Lei (a Torah, o Pentateuco), os Profetas (os Nebiin, livros históricos e proféticos) e os Salmos (que representam os Ketubin, os outros Escritos).
Nesse sentido, a experiência com Jesus ressuscitado é uma luz que ilumina todas as Escrituras. Dá um novo sabor a textos antigos. Talvez o inverso tenha sido mais decisivo: a memória de tradições de Israel ajudou as comunidades a interpretar a Cruz à luz da profecia e da esperança na vinda do libertador. A releitura de textos como Oséias 6,2 ("Depois de dois dias nos fará reviver; no terceiro dia nos levantará e nós viveremos em sua presença") e da figura do servo em Isaías, especialmente do cântico de Isaías 52,13-53,12, ajuda o grupo que seguiu Jesus pelo caminho a reconhecer nele a realização dessa esperança popular. À luz destes textos, as comunidades passaram a compreender a Cruz, de modo que, em vez de sinal de morte, passou a ser sinal de ressurreição e de vida. É a vitória da vida sobre a morte. Nasceu uma nova esperança e, com entusiasmo e movidas pelo dinamismo do Espírito, testemunharam a Boa Nova da justiça do Reino a todas as nações.
Entretanto, parece que mais uma vez Jesus quer nos apresentar um método de evangelização: a mesa da partilha e o ato de matar a fome vêm em primeiro lugar em nossos trabalhos pastorais e sociais. Nenhuma doutrina pode ser usada como camisa de força para a Palavra, uma vez que esta não pode ser algemada por aquela (cf. 2Timóteo 2,9). Muito menos, a Bíblia e as normas das diferentes igrejas podem ser usadas para doutrinar a vida, mas para iluminá-la. Despertar a consciência é algo que não se faz com a barriga vazia! Partilhar o peixe (e o pão, e a dignidade) é algo que se faz como prioridade.
Ressurreição acontece ao redor da mesa
O tema da mesa (comensalidade) é um dos mais caros ao evangelho de Lucas. Jesus come com publicanos (Lc 5,29-32); à mesa, na casa de um fariseu, é ungido pela mulher pecadora; (7,36-50; 11,37-54); também na casa de um fariseu desmascara a hipocrisia e o legalismo de quem o acolhia (10,38-42); janta na casa de Zaqueu e o ensina a repartir; faz-se ele mesmo pão repartido (22,14-2); e se dá a conhecer, em Emaús, ao redor da mesa (Lc 24,13-35). Ao todo, por doze vezes Jesus se senta à mesa no evangelho de Lucas. E ainda convida a quem permanecer fiel a sentar-se na mesa de seu Reino (22,28-30).
No evangelho de hoje, ele pede peixe e come com os seus (22,42). O peixe se tornou um forte símbolo do cristianismo primitivo. Era e ainda é comida de gente simples, que busca sobreviver como consegue, à margem de lagos, rios e mares. Ao mesmo tempo, um pouco de sal e algumas brasas são suficientes para que o banquete esteja pronto e apetitoso. A mesa é o chão da pesca, é a lida do dia-a-dia, a marmita do boia-fria, mas com o direito de estar quentinha, na brasa! E o Mestre come com eles, mais uma vez, um bom peixe assado!
[Edmilson Schinelo]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mensagem de Quaresma do Bispo Primaz: “De quem somos anjos?”

“E os anjos o serviam” Mc 1,13
Minha última viagem a Londres tem me trazido a oportunidade de refletir sobre as pessoas que carregam consigo as marcas da rejeição e da exclusão. A Consulta sobre o tema da superação da violência sexual contra as mulheres e a experiência de assistir um morador de rua chorando por ajuda acompanhado de seu fiel cão de estimação numa das ruas do centro financeiro londrino me fizeram aprofundar ainda mais um senso de deserto que percebo em nossa sociedade. O deserto é solidão, carregada de temores e de dores. O próprio Jesus viveu a experiência do deserto e precisou ser confortado pelos anjos. Para ele, o teste da resiliência lhe exigiu a própria exaustão física e também espiritual. Sua fidelidade ao Pai, no entanto, foi compensada pela ajuda dos anjos (Mc 1,13).
Então aqui vai a pergunta que não quer calar: de quem temos sido anjos? Estamos cercados de tanta gente que vive um deserto pessoal, em meio aos desafios da sobrevivência, encalacrados num sistema que tudo consome e que pouco dá em troca; e quando dá, geralmente não é coisa perene.
O que temos feito diante disso? Estamos sendo anjos de verdade? Quando foi a última vez que tivemos a sensibilidade de nos incomodar com a injustiça? Estamos realmente prontos para o exercício da solidariedade para com as pessoas excluídas? Faz parte da cultura de nosso sistema as pessoas demonstrarem que estão bem, que são bem sucedidas, que estão sempre em ascensão….
No fundo a realidade não é assim. Nossas ruas e praças estão cheias de pessoas que vivem um terrível deserto. Eu não vou enumerar aqui os grupos porque são numerosos. Até os vemos, mas instintivamente não os enxergamos. Podemos ser anjos e levar conforto e autoestima a essas pessoas, lutar por seus direitos e ser voz para as pessoas silenciadas. Transmitir a elas o amor de Deus. Levar as Boas Novas.
Que esta Quaresma se converta em período de profunda avaliação de nossa missão no mundo. Que possamos entender o verdadeiro significado da Cruz assinalada em nossa testa com cinzas. Que possamos nos sentir a inequívoca interdependência com nossos semelhantes e que possamos servi-los e confortá-los como sempre desejamos que nos façam a nós quando vivemos os nossos próprios desertos.
A Igreja existe para servir o mundo. Vamos nos tornar anjos?
++Francisco
Bispo Primaz da IEAB

sábado, 10 de janeiro de 2015



Mc 1, 7-11: Festa do batismo do Senhor [Tomas Hughes]



“Tu és o meu Filho bem-amado; em ti encontro o meu agrado”

Nesse Domingo, que comemora o batismo de Jesus, mais uma vez encontramos a figura do Precursor, João Batista, que foi uma das principais personagens das liturgias do Advento.  Mas, na leitura de hoje, a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele: literalmente “atrás de mim”.  A expressão, que denota a dignidade, como em um cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem – pois tirar as sandálias era serviço de um escravo.  Jesus é o mais importante, pois com a vinda dele inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os Essênios) somente para o fim dos tempos.

Nesse texto de Marcos, o interesse volta-se menos para o batismo de Jesus como tal, e mais para a revelação divina que se lhe seguiu.  Sendo batizado por João, Jesus coloca-se dentro da humanidade caída, e publicamente assume o compromisso com a vontade do Pai.  A frase “viu os céus rasgarem-se e o Espírito como uma pomba descer sobre si” enfatiza que Deus intervém para realizar as suas promessas (cf. Is 63,19) através do envio do Espírito Santo.  Descendo sobre Jesus, o Espírito o designa como sendo o Salvador prometido e esperado.  A voz do Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público como seu Filho (cf. Sl 2,7), seu bem-amado, objeto da sua predileção.

Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai.  Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus – cada um(a) de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (cf. I Jo 3,1), a quem aprouve escolher-nos.  Nada pode nos separar desse amor divino – nem a nossa fraqueza, nem o pecado (cf. Rm 8,39). O que é importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (cf. I Jo 4, 10-11).  Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as conseqüências – uma vida de fidelidade, que o levaria até a Cruz e a Ressurreição! (cf. Fl. 2,6-11)  Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz.  O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que “já está no meio de nós” (cf. Mc 1,1

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

                         NATAL – O DIVINO SE TORNOU HUMANO!


Natal encarnação de Deus na humanidade. O Divino se torna humano para o humano se tornar divino. Deus se manifestou a mulheres e homens trazendo a novidade da plenitude da vida. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. (Jo,10;10). Para que o filho de Deus se manifestasse ao mundo muitas pessoas foram desafiadas a enfrentar seus medos, romper paradigmas, romper preconceitos, romper distâncias, reinventar caminhos desafiando autoridades e colocando-se em movimento, sonhando sonhos que para Deus nada é impossível. Maria ouviu o anjo que lhe disse, “Não tenha medo Maria, porque você encontrou graça diante de Deus”. (Lc 1;30). “Para Deus nada é impossível”. (Lc 1;37). Maria acreditou que era possível e se pôs a caminho... José era homem justo diz o texto de Mt 1;19, não queria denunciar Maria como era o costume da época... Sonhou com o anjo que lhes disse, “não tenha medo de receber Maria como esposa”. (Mt 1;21). Ao sonhar com o anjo José coloca-se a caminho e vai ao encontro de Maria sonhando que era possível. Maria e José colocam-se a caminho! Jesus no ventre e na fé de Maria chega a Belém, com toda dificuldade de uma gestante em final de gravidez Maria faz a caminhada. Mas na cidade não encontraram um lugar, mas com o sonho de que para Deus nada é impossível encontram um lugar humilde onde o Divino pudesse resgatar com seu nascimento toda forma de vida de sua criação. O divino quer manifestar-se a humanidade, o anjo vai novamente ao encontro dos pastores, pessoas simples que na época viviam nos campos pastoreando ovelhas, homens e mulheres, pessoas empobrecidas. Os pastores e as pastoras também tinham medo! O Anjo vem ao encontro deles e diz “Não tenham medo! Eu anuncio a vocês a grande alegria para todos os povos” (Lc 2;10). Temos ainda os magos que acreditaram em uma estrela diferente e colocaram-se a caminho e no meio da caminhada precisaram reinventar o caminho para desviar dos que tinham em suas mãos o poder e sentiam-se ameaçados com na manifestação de Deus. 
O caminho para o nascimento de Jesus foi feito de sonhos, de fé no acreditar de mulheres e homens que para Deus nada é impossível. Hoje celebramos esse acontecimento, Natal! Mas com o passar dos tempos perdeu seu sentido, desapareceu a fé o crer que é possível desafiar sistemas, colocar-se a caminho, fazer diferente. Temos medo! O medo parece estar nos paralisando. 
Talvez não seja o medo, mas o conformismo. Conformamo-nos em deixar as coisas como estão. Ganhamos nosso salário e deixamos os donos do poder do nosso tempo destruir toda criação de Deus, o que se tornou humano para que o humano se tornasse divino. Vamos para nossas Igrejas e celebramos o nascimento do filho de Deus totalmente fora do contexto pelo qual Deus se tornou humano. Criamos para nós mesmos um deus que caiba dentro de nossa omissão, conformismo e descompromisso. Ficamos paralisados, paralisadas olhando para o anjo, talvez! Diferentes de Maria, José, Pastores e magos que colocaram-se a caminho reinventando, recriando, e crendo. E nós? Estamos aí sem movimento e parados esperando que o anjo faça por nós? 
Será que não é hora de olharmos para a criação de Deus a nossa volta que pede socorro? Será que não é hora prestarmos atenção ao “anjo” nos dizendo, “Não tenha medo, você encontrou graça diante de Deus, Para Deus nada é impossível? Ou sonharmos com José que é possível reinventar e fazer diferente? Ou ainda escutar como os pastores “não tenham medo eu trago uma boa notícia”? Ou ainda, reinventar outro caminho como os magos? Será que vamos continuar com um natal de comércio e do lucro? Precisamos aprender que a festa do nascimento de Jesus foi de partilha de sonhos, ousadias e caminhos. Precisamos também nós que celebramos o nascimento de Jesus nos colocar em movimento. Não podemos nós perder a essência do projeto da manifestação de Deus para a humanidade. 
Revda Lucia Dal Pont Sirtoli
Foto: NATAL – O DIVINO SE TORNOU HUMANO!

Natal encarnação de Deus na humanidade. O Divino se torna humano para o humano se tornar divino. Deus se manifestou a mulheres e homens trazendo a novidade da plenitude da vida. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. (Jo,10;10). Para que o filho de Deus se manifestasse ao mundo muitas pessoas foram desafiadas a enfrentar seus medos, romper paradigmas, romper preconceitos, romper distâncias, reinventar caminhos desafiando autoridades e colocando-se em movimento, sonhando sonhos que para Deus nada é impossível. Maria ouviu o anjo que lhe disse, “Não tenha medo Maria, porque você encontrou graça diante de Deus”. (Lc 1;30). “Para Deus nada é impossível”. (Lc 1;37). Maria acreditou que era possível e se pôs a caminho... José era homem justo diz o texto de Mt 1;19,  não queria denunciar Maria como era o costume da época... Sonhou com o anjo que lhes disse, “não tenha medo de receber Maria como esposa”. (Mt 1;21). Ao sonhar com o anjo José coloca-se a caminho e vai ao encontro de Maria sonhando que era possível. Maria e José colocam-se a caminho! Jesus no ventre e na fé de Maria chega a Belém, com toda dificuldade de uma gestante em final de gravidez Maria faz a caminhada. Mas na cidade não encontraram um lugar, mas com o sonho de que para Deus nada é impossível encontram um lugar humilde onde o Divino pudesse resgatar com seu nascimento toda forma de vida de sua criação. O divino quer manifestar-se a humanidade, o anjo vai novamente ao encontro dos pastores, pessoas simples que na época viviam nos campos pastoreando ovelhas, homens e mulheres, pessoas empobrecidas. Os pastores e as pastoras também tinham medo! O Anjo vem ao encontro deles e diz “Não tenham medo! Eu anuncio a vocês a grande alegria para todos os povos” (Lc 2;10). Temos ainda os magos que acreditaram em uma estrela diferente e colocaram-se a caminho e no meio da caminhada precisaram reinventar o caminho para desviar dos que tinham em suas mãos o poder e sentiam-se ameaçados com na manifestação de Deus. 
O caminho para o nascimento de Jesus foi feito de sonhos, de fé no acreditar de mulheres e homens que para Deus nada é impossível. Hoje celebramos esse acontecimento, Natal!  Mas com o passar dos tempos perdeu seu sentido, desapareceu a fé o crer que é possível desafiar sistemas, colocar-se a caminho, fazer diferente. Temos medo! O medo parece estar nos paralisando. 
Talvez não seja o medo, mas o conformismo. Conformamo-nos em deixar as coisas como estão. Ganhamos nosso salário e deixamos os donos do poder do nosso tempo destruir toda criação de Deus, o que se tornou humano para que o humano se tornasse divino. Vamos para nossas Igrejas e celebramos o nascimento do filho de Deus totalmente fora do contexto pelo qual Deus se tornou humano. Criamos para nós mesmos um deus que caiba dentro de nossa omissão, conformismo e descompromisso. Ficamos paralisados, paralisadas olhando para o anjo, talvez! Diferentes de Maria, José, Pastores e magos que colocaram-se a caminho reinventando, recriando, e crendo. E nós?  Estamos aí sem movimento e parados esperando que o anjo faça por nós?  
Será que não é hora de olharmos para a criação de Deus a nossa volta que pede socorro? Será que não é hora prestarmos atenção ao “anjo” nos dizendo, “Não tenha medo, você encontrou graça diante de Deus, Para Deus nada é impossível? Ou sonharmos com José que é possível reinventar e fazer diferente? Ou ainda escutar como os pastores “não tenham medo eu trago uma boa notícia”? Ou ainda, reinventar outro caminho como os magos? Será que vamos continuar com um natal de comércio e do lucro? Precisamos aprender que a festa do nascimento de Jesus foi de partilha de sonhos, ousadias e caminhos. Precisamos também nós que celebramos o nascimento de Jesus nos colocar em movimento. Não podemos nós perder a essência do projeto da manifestação de Deus para a humanidade. 
Revda Lucia Dal Pont Sirtoli

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014



      


PARÓQUIA DE SÃO LUCAS
 LONDRINA PR - DAC/IEAB
NATAL! ACOLHIDA E HOSPITALIDADE!



Madrugada camponesa faz escuro ainda no chão (...) faz escuro, mas eu canto porque a manhã vai chegar.   (Thiago de Mello)

Mas uma vez é tempo de advento. O Natal está chegando. Uma alegria, uma Espiritualidade e uma ternura inexplicáveis surgem no coração de quem vive o Natal com os olhos da fé! Como diz o poeta Thiago de Melo: “Faz escuro, mas eu canto porque a manhã vai chegar”! Pode ser madrugada ainda escura, pode ser que ainda não consigamos enxergar nada direito, mas de um momento para outro pode raiar o dia, como uma luz crescendo, uma vela acesa em uma sala escura. A luz vai crescendo e rompe a escuridão e a noite se faz dia.

Tempo de advento, preparação para chegada do Deus menino que não encontrou hospitalidade para ser acolhido em sua manifestação humana. Seu abrigo foi uma estrabaria fora da cidade, acolhido e hospedado por animais, na casa dos animais. Seus primeiros visitantes foram os pastores pobres, cuidadores dos animais.

A mensagem para nós neste Advento é de acolhida e hospitalidade, receber, hospedar em nossa casa, vida, toda novidade, mudança, novo modo de viver que vem com a Criança Divina que se fez humana. Receber alguém em nossa casa gera desconforto sair de nossa comodidade e preparar a casa para acolher quem vai chegar. É assim no Advento, precisamos olhar para dentro de nós, limpar, arrumar e nos preparar para receber e celebrar no Natal a Palavra viva que hoje tem voz através de nossas vozes, tem corpo através de nossos corpos, põem-se em movimento através de nossos movimentos.

Vamos nos colocar em Movimento para acolher e hospedar “O Menino”. Não tornamos o nosso Natal uma fonte de renda, ou simplesmente em consumo. Como disse nosso Bispo Primaz, ”estamos vivendo a síndrome de Herodes: o interesse de Herodes de ver o Menino não era para adorá-lo como disse aos Magos”. Assim também o mercado não quer saber de Jesus, quer saber de lucro, de consumo. O que menos importa é o Menino. Aliás, muitos meninos e meninas, como Jesus, estão jogados à própria sorte em nossa sociedade. Meninos e meninas não interessam, a menos que sejam consumidores!

Irmãs e irmãos da Paróquia de São Lucas, rendamos graças a Deus por mais um ano que passamos, não foi fácil, tivemos muitos encontros e desencontros. Assim é a vida, precisamos aprender cada dia a vivermos firmes na fé mesmo diante das dificuldades.

Quero agradecer a todas as pessoas que contribuíram de uma forma ou de outra para levar adiante no dia a dia da Paróquia, aquilo que nos é colocado como desafio, como forma de viver a vida em comunidade! 
Obrigada por sua contribuição, e vamos continuar contribuindo para que 2015 seja ainda melhor!

Que o Deus Menino nos ajude a sermos pessoas sempre mais acolhedoras de toda manifestação da vida, da criação de Deus. É necessário que haja respeito para vivermos em harmonia!

Convidamos para Celebrar o Natal de Jesus no dia 24 de Dezembro, às 20:00 hs e, no  dia 31 de Dezembro, às 20:00 hs , Celebração de Ação de Graças pelo ano de 2014!
Que 2015 venha cheio da energia do amor Divino Criador e Redentor!

                   FELIZ NATAL!



                                                                                                             Revda. Lucia e Revdo. Luiz.